"Não nasci para ser casada."Não me importo em ser olhada de lado a cada vez que pronuncio tal frase. Esta possui o mesmo impacto de outras que também não me saem da ponta da língua e já nomearam muitas comunidades orkuteanas e facebokeanas : "Odeio arrumar a casa; não suporto lavar louça; odeio passar roupa." E falo tudo isso do fundo do meu coração, sem receio algum de estar errando.
Qualquer empregado entraria na justiça reclamando o acúmulo de funções. Não há o que me irrite mais do que ler textos valorizando as mil e uma utilidade da mulher. Enaltecendo "Amelias" que por não terem vaidade, se tornaram mulheres de verdade.
Exaltando àquela que trabalha fora o dia inteiro, chega a casa e ainda tem tempo de lavar, passar, arrumar, cozinhar , auxiliar os filhos nas tarefas escolares e ufa ! Já estou cansada só de escrever...
Serviço escravo, isso sim!!! Isso não pode ter ligação com amor, mas com o sofrer.
Talvez a afirmação com a qual abro esse texto, seja o reflexo de um casamento em que acumulei diversas funções.e foram tantas que precisei de aposentaria compulsória. Quase por invalidez.
Mulher só precisa lavar o que suja, cozinhar o que come e passar o que veste. Salvo as que têm esse serviço como profissão. No mais, uma justa e parcial divisão de tarefas é aceitável , se negociadas entre as partes.
Sabemos de jovens que dividem moradia em época de universidade e , na divisão, ficam também estabelecidos os serviços domésticos .
Amigos e amigas decidem ir morar juntos e tudo segue a ordem dos universitários. Por que apenas quando se casa, a mulher precisa se deixar escravizar?
A verdade é que em pleno século XXI, tal comportamento ainda é visto como dedicação , prova de amor e o pior, como competência. E , por conseguinte, a ausência, classificada como falta de amor ou negligência...
Por que será tão difícil de enxergar ? A soneca aos domingos à tarde é salutar. Chegar do trabalho, esticar os pés sobre o sofá faz bem para todo mundo. Perguntar o que temos para o jantar, dá um tempero todo especial à comida.
Casamento vai além das tarefas domésticas, e mesmo que fossem revistas, eu continuaria dizendo que não nasci para ser casada. Mas por quê? Ah, isso já é assunto para outra hora...
Mônica Jogas 03/2016.