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sábado, 28 de maio de 2016

Inspiração














Que santa inquietude é essa
Que ao meu espírito invade
Vem do fundo sem pressa
Reflete no peito, arde
O pensamento domina
E estranhamente liberta
A intimidade fascina
Mesmo recém-descoberta
Os desejos incontidos
Tornam-se alvo certeiro
Lampejos tão proibidos
Ocupam espaço inteiro
A mente então se apavora
Sofre e se cala o autor
Surge o escrito sem demora
E os poetas sentem dor
                                     
Mônica Jogas

Falatório



Quero falar sobre as cidades
As vilas , favelas
Falar de gente que passa
De cão que ladra
De ladra que furta
De bicho de estimação
Quero falar de sim e de não
De céu e de terra
De Terra e de Marte
De arte
Quero falar de fruta madura
De romã, maçã
De paraíso e de abismo
De mar
Falar de silêncio
Psiii
De som, de cheiro
De tatear o paladar
Quero falar de um poeta
Poetizar
Quero falar, falar
Falar , falar
Quero falar  de falar.

Mônica Jogas

Casamento ou castigo ?



"Não nasci para ser casada."Não me importo em ser olhada de lado a cada vez que pronuncio tal frase. Esta possui o mesmo impacto de outras que também não me saem da ponta da língua e já nomearam  muitas comunidades orkuteanas e facebokeanas : "Odeio arrumar a casa; não suporto lavar louça; odeio passar roupa." E falo tudo isso do fundo do meu coração, sem receio algum de estar errando.
Qualquer empregado entraria na justiça reclamando o acúmulo de funções. Não há o que me irrite mais do que ler textos valorizando as mil e uma utilidade da mulher. Enaltecendo "Amelias" que por não terem vaidade, se tornaram mulheres de verdade.
 Exaltando àquela  que trabalha fora o dia inteiro, chega a casa e ainda tem tempo de lavar, passar, arrumar, cozinhar , auxiliar os filhos nas tarefas escolares e ufa ! Já estou cansada só de escrever...
Serviço escravo, isso sim!!! Isso não pode ter ligação com amor, mas com  o sofrer.
Talvez a afirmação com a qual abro esse texto, seja o reflexo de um casamento em que acumulei diversas funções.e foram tantas  que precisei de aposentaria compulsória. Quase por invalidez.
Mulher só precisa lavar o que suja, cozinhar o que come e passar o que veste. Salvo as que têm esse serviço como profissão. No mais, uma justa e parcial divisão de tarefas é aceitável , se negociadas entre as partes.
Sabemos de jovens que dividem moradia em época de universidade  e , na divisão, ficam também estabelecidos os serviços domésticos .
Amigos e amigas decidem ir morar juntos e tudo segue a ordem dos universitários. Por que apenas quando se casa, a mulher precisa se deixar escravizar?
A verdade é que em pleno século XXI, tal comportamento ainda é visto como dedicação , prova de amor e o pior, como competência. E , por conseguinte, a ausência, classificada como falta de amor  ou negligência...
Por que será tão difícil de enxergar ?  A soneca aos domingos à tarde é salutar. Chegar  do trabalho, esticar  os pés sobre o sofá faz bem para todo mundo. Perguntar o que temos para o jantar, dá um tempero todo  especial à comida.
Casamento vai além das tarefas domésticas, e mesmo que fossem revistas, eu continuaria dizendo que não nasci para ser casada. Mas por quê? Ah, isso já é assunto para outra hora...
                    Mônica Jogas 03/2016.

Cores


A vida tem muitas cores
Cores que encantam
Cores que brilham
Cores que irritam
Cores que violentam
E, mesmo assim,
Todas elas colorem

Mônica Jogas

Perda


Perdi minha poesia
Perdi a palavra que toca
A cadência sonora
Perdi o encaixe , a rima
Perdi a hora.
Ora... Escreve logo!
Poe outra no lugar...
Não dá!
Perdi...
Perdi minha poesia
Única e completa
Da alma.o retrato
Do coração.o relato
Do silencio, a razão.
Perdi minha poesia
Inconsolável
Dano irreparável
Perda sem soluçao
Valeu pela inspiração
Perdi minha poesia
Que agora vaga
Deserta moribunda
Por entre as mentes
E as gentes
Em algum lugar.
Perdi minha poesia...
Perdi a palavra que toca
A cadência sonora
Perdi o encaixe , a rima
Perdi a hora.
Ora... Escreve logo!
Poe outra no lugar...
Não dá!
Perdi...
Perd minha poesia
Única e completa
Da alma.o retrato
Do coração.o relato
Do silencio, a razão.
Perdi minha poesia
Inconsolável
Dano irreparável
Perda sem soluçao
Valeu pela inspiração
Perdi minha poesia
Que agora vaga
Deserta moribunda
Por entre as mentes
E as gentes
Em algum lugar

Mônica Jogas

Cenário


Cenário
Aquela gente que passa
E parece exaurida
Impaciente
De cara franzida
Olha o pulso
Analógico ou digital
O tempo não perdoa...
"É tarde, é tarde, é tarde até que arde"
Diria o coelho da Alice
"Quanta tolice "
Reclama o velho cansado
"Olha o vocabulário"
Retruca  a velha irritada
"Mas que cenário"
Observa do alto
Um canário
Que habita uma gaiola
E quem lá mora?
O velho cansado ;
A velha irritada
Simbora...