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sábado, 23 de julho de 2016

A IMPUREZA DO AMOR

Ah, mas eu te amo...


                                      Te amo!
                               Te amo! Te amo!
                                    Te amo!

com a ignorância de um sábio.
com a impaciência de um monge.
com a incapacidade de um vitorioso.
com as ardentes chamas  de um iceberg.

Te amo !
Te amo! Te amo!
Te amo!

com a astúcia de um ser inanimado.
com a presença de espírito de um criado-mudo.
com a certeza de um amanhã definido.
com o frescor de um escaldante deserto

Te amo!
Te amo Te amo!
Te amo!

com a sonoridade do silêncio.
com o apurado paladar do insípido.
com a clareza do abismo.
com o estrondo volitar de uma pétala.

Ah, mas como te amo...
Te amo!
Te amo! Te amo!
Te amo!

com a mansidão de uma tormenta .
com as incolores listras do arco-íris.
com a constância de uma metamorfose
com o limite do infinito.

Te amo!
 Te amo! Te amo!
 Te amo!

com  a candidez da imoralidade
com a fé Cristã de um ateu
com  fealdade da ternura
com a vitalidade de um  moribundo

Ah, mas eu te amo!

Porque com palavras posso articular
Então não me contenho e desando a gritar
Te amo ! Te amo ! Te amo ! Te amo!
A você , cabe confiar que
Te amo! Te amo Te amo ! Te amo!

E para sempre vou te amar.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Paz


Estou precisando escrever
E , por assim entender,
o que se passa em mim
Porque estou tão só em desatino
Estou precisando divagar sobre as coisas
do céu, do ar e do mar.
Estou precisando rever amigos
reviver através das letras amareladas
e amarrotadas de um antigo diário
Na verdade, eu preciso ler e escrever
Ah, essas linhas tortas, trôpegas
que bailam dentro de mim
Palavras que procuro e encontro
Palavras de desencontro
Palavras que entoam e destoam
de toda estrutura inicial
Palavras que acalentam
que induzem ao sofrimento
Palavras escritas, lidas e refletidas
E todo esse amontoado de letras
me traz paz e me faz mais
Suspiro...
Suspiro...
Tão doce é o pranto que se desdobra em versos
A lágrima de um poeta é água de sofrer, de querer
Quem sabe se o riso discreto é o que esconde o pranto
e o manto que reveste a alma
Calma, menina, a noite se aproxima
e se afina com os teus pensamentos
E as letras surgem para virarem alento à tão triste dor
Estou precisando... Estou precisando
De paz

Prosa pra mais de meia hora

Escrever não é tarefa fácil
Não há como prever o acolá
Contento-me com o aqui e o lá
Ofício forte para quem quer um norte
Ou quem sabe a morte
de um personagem querido
Que chegou distraído
em seu conto de horror
Mas não era suspense?
Ah! Nem pense...
Esqueceu-se de que não há como prever
Sequer quem irá ler
Ou se há de gostar, quem sabe se amarrar ,
viciar ou até ignorar teus escritos?
Teus? Deus, quanta indagação
para a obra que ainda nem nasceu
Valeu pela inspiração
que desta mão andara sumida
E agora parece querer se chegar
Assim, meio combalida
Doida, perdida
Nos meios e entremeios da vida
Se contar, dá um nó
Ai, que dó! E dói...
" Calma que passa" - diz o gordo vigário
Daquele meio retardatário
que chega para lanchar
Com fome de ontem
Parece que nunca passa
Fala, fala e nada resolve
Bem fez o Padre Amaro
Pobre diabo...
Falar de padre também é pecado?
Vixe, melhor ficar calado, amuado...
Sabe-se lá?
Mas isso é conversa pra outra hora
Porque agora está tarde
E, de verdade,
não tenho nem mais meia hora.




quinta-feira, 16 de junho de 2016

De beijos




Beijo que te quero beijo
Beijo de tua língua sã
Beijo de mulher ardente
Que arrepia a mente
Aroma, flor hortelã
Beijo que te quero beijo
Beijo que me deixa louca
Beijo no correr da rua
Madrugada nua
Desbravada e rouca
Beijo que te quero beijo
Beijo que preenche a boca
Beijo, amor salivado
Cheiro de pecado
Pronto a percorrer
Beijo que te quero beijo
Beijo que te quero ter
Beijo em mundo vazio
Á alma, arrepio
Volto a me esconder
Beijo que te quero beijo
Beijo que te quero bem
Beijo de Adão sem Eva
De maçã , me enleva
Vida a conhecer
Beijo que te quero beijo
Beijo, quero um beijo teu.
                                       
                                       Mônica Jogas



sábado, 28 de maio de 2016

Inspiração














Que santa inquietude é essa
Que ao meu espírito invade
Vem do fundo sem pressa
Reflete no peito, arde
O pensamento domina
E estranhamente liberta
A intimidade fascina
Mesmo recém-descoberta
Os desejos incontidos
Tornam-se alvo certeiro
Lampejos tão proibidos
Ocupam espaço inteiro
A mente então se apavora
Sofre e se cala o autor
Surge o escrito sem demora
E os poetas sentem dor
                                     
Mônica Jogas

Falatório



Quero falar sobre as cidades
As vilas , favelas
Falar de gente que passa
De cão que ladra
De ladra que furta
De bicho de estimação
Quero falar de sim e de não
De céu e de terra
De Terra e de Marte
De arte
Quero falar de fruta madura
De romã, maçã
De paraíso e de abismo
De mar
Falar de silêncio
Psiii
De som, de cheiro
De tatear o paladar
Quero falar de um poeta
Poetizar
Quero falar, falar
Falar , falar
Quero falar  de falar.

Mônica Jogas

Casamento ou castigo ?



"Não nasci para ser casada."Não me importo em ser olhada de lado a cada vez que pronuncio tal frase. Esta possui o mesmo impacto de outras que também não me saem da ponta da língua e já nomearam  muitas comunidades orkuteanas e facebokeanas : "Odeio arrumar a casa; não suporto lavar louça; odeio passar roupa." E falo tudo isso do fundo do meu coração, sem receio algum de estar errando.
Qualquer empregado entraria na justiça reclamando o acúmulo de funções. Não há o que me irrite mais do que ler textos valorizando as mil e uma utilidade da mulher. Enaltecendo "Amelias" que por não terem vaidade, se tornaram mulheres de verdade.
 Exaltando àquela  que trabalha fora o dia inteiro, chega a casa e ainda tem tempo de lavar, passar, arrumar, cozinhar , auxiliar os filhos nas tarefas escolares e ufa ! Já estou cansada só de escrever...
Serviço escravo, isso sim!!! Isso não pode ter ligação com amor, mas com  o sofrer.
Talvez a afirmação com a qual abro esse texto, seja o reflexo de um casamento em que acumulei diversas funções.e foram tantas  que precisei de aposentaria compulsória. Quase por invalidez.
Mulher só precisa lavar o que suja, cozinhar o que come e passar o que veste. Salvo as que têm esse serviço como profissão. No mais, uma justa e parcial divisão de tarefas é aceitável , se negociadas entre as partes.
Sabemos de jovens que dividem moradia em época de universidade  e , na divisão, ficam também estabelecidos os serviços domésticos .
Amigos e amigas decidem ir morar juntos e tudo segue a ordem dos universitários. Por que apenas quando se casa, a mulher precisa se deixar escravizar?
A verdade é que em pleno século XXI, tal comportamento ainda é visto como dedicação , prova de amor e o pior, como competência. E , por conseguinte, a ausência, classificada como falta de amor  ou negligência...
Por que será tão difícil de enxergar ?  A soneca aos domingos à tarde é salutar. Chegar  do trabalho, esticar  os pés sobre o sofá faz bem para todo mundo. Perguntar o que temos para o jantar, dá um tempero todo  especial à comida.
Casamento vai além das tarefas domésticas, e mesmo que fossem revistas, eu continuaria dizendo que não nasci para ser casada. Mas por quê? Ah, isso já é assunto para outra hora...
                    Mônica Jogas 03/2016.