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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Hoje



Hoje , como em nenhum outro dia , buscarei  me encontrar c
om o que há de mais íntimo em meu ser.
Hoje, olharei incansavelmente para o céu e,se eu encontrar o Sol, com o seu calor me  energizarei.
Se lá estiverem as nuvens,em cumplicidade, perceberei a chuva que há de purificar-me a alma.
Se eu me deparar com uma estrela cadente , seguirei seu rastro e, por fim, quando esta entrar em choque com a atmosfera fará parte de mim.
Se uma enorme constelação adornar o céu , encontrarei uma e somente uma para ser minha amiga e confidente.Se somente a lua lá se encontrar , refletindo a luz que recebe do nosso astro –rei, eu sorrirei , e junto ao meu singular sorriso,a louvarei com uma linda  prece.
Hoje, sem resistir , atentarei aos mistérios do mar.
Se ele estiver revolto, o respeitarei e desviarei o meu olhar.
Se calmo eu o encontrar , buscarei a  serenidade que tanto necessito para prosseguir ; e no vai- e- vem das suas ondas suplicarei para que da minha vida leve qualquer extremismo e devolva –me a neutralidade.
Hoje, sem adiar,me  curvarei ao encanto das árvores, e  sensivelmente, extrairei  das mais frágeis a perseverança ,
 das mais fortes a altivez.
Erguerei  meu olhar para o cume da que despertar a minha atenção , e me transportarei para abrigar-me tal qual os pássaros em seus galhos firmes, a fim de recuperar o fôlego para seguir em direção a novos horizontes.
Hoje, será o dia de  reconhecer a magnitude de toda uma existência.
Será o dia de encontrar-me, de  reconhecer-me.
Será ,enfim,  o dia de ressuscitar.
                                                            Mônica Jogas

sábado, 23 de julho de 2016

A IMPUREZA DO AMOR

Ah, mas eu te amo...


                                      Te amo!
                               Te amo! Te amo!
                                    Te amo!

com a ignorância de um sábio.
com a impaciência de um monge.
com a incapacidade de um vitorioso.
com as ardentes chamas  de um iceberg.

Te amo !
Te amo! Te amo!
Te amo!

com a astúcia de um ser inanimado.
com a presença de espírito de um criado-mudo.
com a certeza de um amanhã definido.
com o frescor de um escaldante deserto

Te amo!
Te amo Te amo!
Te amo!

com a sonoridade do silêncio.
com o apurado paladar do insípido.
com a clareza do abismo.
com o estrondo volitar de uma pétala.

Ah, mas como te amo...
Te amo!
Te amo! Te amo!
Te amo!

com a mansidão de uma tormenta .
com as incolores listras do arco-íris.
com a constância de uma metamorfose
com o limite do infinito.

Te amo!
 Te amo! Te amo!
 Te amo!

com  a candidez da imoralidade
com a fé Cristã de um ateu
com  fealdade da ternura
com a vitalidade de um  moribundo

Ah, mas eu te amo!

Porque com palavras posso articular
Então não me contenho e desando a gritar
Te amo ! Te amo ! Te amo ! Te amo!
A você , cabe confiar que
Te amo! Te amo Te amo ! Te amo!

E para sempre vou te amar.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Paz


Estou precisando escrever
E , por assim entender,
o que se passa em mim
Porque estou tão só em desatino
Estou precisando divagar sobre as coisas
do céu, do ar e do mar.
Estou precisando rever amigos
reviver através das letras amareladas
e amarrotadas de um antigo diário
Na verdade, eu preciso ler e escrever
Ah, essas linhas tortas, trôpegas
que bailam dentro de mim
Palavras que procuro e encontro
Palavras de desencontro
Palavras que entoam e destoam
de toda estrutura inicial
Palavras que acalentam
que induzem ao sofrimento
Palavras escritas, lidas e refletidas
E todo esse amontoado de letras
me traz paz e me faz mais
Suspiro...
Suspiro...
Tão doce é o pranto que se desdobra em versos
A lágrima de um poeta é água de sofrer, de querer
Quem sabe se o riso discreto é o que esconde o pranto
e o manto que reveste a alma
Calma, menina, a noite se aproxima
e se afina com os teus pensamentos
E as letras surgem para virarem alento à tão triste dor
Estou precisando... Estou precisando
De paz

Prosa pra mais de meia hora

Escrever não é tarefa fácil
Não há como prever o acolá
Contento-me com o aqui e o lá
Ofício forte para quem quer um norte
Ou quem sabe a morte
de um personagem querido
Que chegou distraído
em seu conto de horror
Mas não era suspense?
Ah! Nem pense...
Esqueceu-se de que não há como prever
Sequer quem irá ler
Ou se há de gostar, quem sabe se amarrar ,
viciar ou até ignorar teus escritos?
Teus? Deus, quanta indagação
para a obra que ainda nem nasceu
Valeu pela inspiração
que desta mão andara sumida
E agora parece querer se chegar
Assim, meio combalida
Doida, perdida
Nos meios e entremeios da vida
Se contar, dá um nó
Ai, que dó! E dói...
" Calma que passa" - diz o gordo vigário
Daquele meio retardatário
que chega para lanchar
Com fome de ontem
Parece que nunca passa
Fala, fala e nada resolve
Bem fez o Padre Amaro
Pobre diabo...
Falar de padre também é pecado?
Vixe, melhor ficar calado, amuado...
Sabe-se lá?
Mas isso é conversa pra outra hora
Porque agora está tarde
E, de verdade,
não tenho nem mais meia hora.




quinta-feira, 16 de junho de 2016

De beijos




Beijo que te quero beijo
Beijo de tua língua sã
Beijo de mulher ardente
Que arrepia a mente
Aroma, flor hortelã
Beijo que te quero beijo
Beijo que me deixa louca
Beijo no correr da rua
Madrugada nua
Desbravada e rouca
Beijo que te quero beijo
Beijo que preenche a boca
Beijo, amor salivado
Cheiro de pecado
Pronto a percorrer
Beijo que te quero beijo
Beijo que te quero ter
Beijo em mundo vazio
Á alma, arrepio
Volto a me esconder
Beijo que te quero beijo
Beijo que te quero bem
Beijo de Adão sem Eva
De maçã , me enleva
Vida a conhecer
Beijo que te quero beijo
Beijo, quero um beijo teu.
                                       
                                       Mônica Jogas



sábado, 28 de maio de 2016

Inspiração














Que santa inquietude é essa
Que ao meu espírito invade
Vem do fundo sem pressa
Reflete no peito, arde
O pensamento domina
E estranhamente liberta
A intimidade fascina
Mesmo recém-descoberta
Os desejos incontidos
Tornam-se alvo certeiro
Lampejos tão proibidos
Ocupam espaço inteiro
A mente então se apavora
Sofre e se cala o autor
Surge o escrito sem demora
E os poetas sentem dor
                                     
Mônica Jogas

Falatório



Quero falar sobre as cidades
As vilas , favelas
Falar de gente que passa
De cão que ladra
De ladra que furta
De bicho de estimação
Quero falar de sim e de não
De céu e de terra
De Terra e de Marte
De arte
Quero falar de fruta madura
De romã, maçã
De paraíso e de abismo
De mar
Falar de silêncio
Psiii
De som, de cheiro
De tatear o paladar
Quero falar de um poeta
Poetizar
Quero falar, falar
Falar , falar
Quero falar  de falar.

Mônica Jogas